No último dia 30 de outubro, foi realizado em Braga o Pitch Day by GRPC Private Legal Office. A iniciativa reuniu startups promissoras da região do Minho para uma sessão prática de treino de pitch e validação de storytelling, com o objetivo de preparar os empreendedores para o contacto com investidores, parceiros e imprensa internacional no Web Summit Lisboa 2026.
Em um formato dinâmico de simulação real, com 2 minutos de apresentação seguidos de 4 minutos de arguição, as startups participantes apresentaram os seus modelos de negócio e soluções tecnológicas a uma banca multidisciplinar de especialistas. O painel de júri foi composto pela jornalista Liliane Machado, pelo especialista em branding Daniel Teixeira e por Bruno Gutman, advogado e sócio fundador do GRPC, sendo estes dois últimos também investidores ativos no ecossistema através do fundo Angels Way.
Durante o evento, a banca ofereceu feedbacks cruciais focados na clareza do problema e da solução desenvolvida, o modelo de negócios, na postura de comunicação e nos aspetos de como destacar-se na multidão de startups que frequentam o Web Summit.
O resultado do evento, com as dicas mais importantes, foi reunido neste documento.
Qual é a vossa intenção?
O Web Summit não é um palco de apresentações. Ao contrário do Pitch Day, não há ecrã nem slides. Há conversas cara a cara, muitas vezes em pé e em poucos minutos, com investidores, potenciais parceiros e clientes. Num evento desta dimensão, quem chega sem um objetivo claro passa os dias como espectador e volta para casa sem resultados.
Antes de irem, respondam a três perguntas:
- O que queremos trazer de Lisboa? Investimento (e para que ronda), um parceiro estratégico, clientes piloto, entrada num novo mercado, visibilidade, talento.
- Com quem precisamos de falar? Qual tipo de investidor, quais empresas, perfis.
- Como sabemos que correu bem? Reuniões de follow-up agendadas, leads qualificados, propostas em cima da mesa.
Escolham um ou dois objetivos e foquem-se neles. Quem tenta abraçar tudo dispersa atenção e tempo, precisamente os recursos mais escassos durante o evento.
Curadoria prévia: não serve qualquer investidor
Para quem anda a levantar capital, é aqui que se ganha ou se perde o Web Summit. O trabalho decisivo faz-se antes do evento, na app oficial. É lá que identificam quem vale mesmo a pena abordar.
Não procurem investidores em geral. Procurem os que fazem fit com a vossa startup. Um investidor fora do vosso setor, fase ou mercado dificilmente avança, por melhor que seja o pitch.
Organizar os contactos
Utilizar a app do Web Summit, para organizar as possíveis conexões que pretendem fazer, é fundamental. Pesquise as pessoas e empresas pelos filtros disponíveis como países, áreas de interesse, entre outros:
- Uma lista curta e priorizada: nome, organização e as razões que fazem sentido conectar com investidores, parceiros e potenciais clientes.
- Contacto antes do evento, pela app, com uma mensagem curta e personalizada a propor um encontro.
- Verifique os painéis ou sessões que essas conexões participarão. No final dessas dinâmicas é um ótimo momento para abordar e iniciar uma conversa.
- No evento, a lista é o vosso mapa. Encontros espontâneos são bem-vindos, mas o foco está nas pessoas que escolheram, para não se perderem na multidão.
O pitch de 30 segundos
Em Lisboa, a primeira conversa com um investidor ou parceiro vai durar, quase sempre, cerca de 30 segundos. Em pé, sem deck, sem nada para mostrar. O objetivo não é fechar negócio nem explicar tudo. É gerar curiosidade suficiente para que a outra pessoa queira saber mais e seja ela a fazer as perguntas.
- Agarrar logo na primeira frase. Nada de começar pelo nome da empresa ou pela história da fundação.
- Mostrar um problema real. Quem ouve tem de perceber de imediato qual é a dor e quem a sente.
- É claro e rápido de entender. Linguagem simples. Se não se percebe em 30 segundos, ainda não está afinado.
- Deixar espaço para perguntas. Um bom pitch curto não esgota o tema. Se ouvirem "e como é que isso funciona?", resultou.
- Soar natural. Treinado até sair com fluidez, mas sem soar decorado e ajustado a quem está à frente: investidor, parceiro ou cliente.
Destacar-se na multidão
Num recinto com milhares de startups, as pessoas estão a ver e ouvir dezenas de pitches no mesmo dia. O desafio é que se lembrem de si ao final do dia. Algumas formas simples de o garantir:
- T-shirt ou outra peça com a marca bem visível e, se possível, uma frase curta a dizer o que fazem. Também ajuda a que vos encontrem no meio da multidão.
- Cartões de visita com nome, função, contacto e um QR code para o LinkedIn, site ou deck.
- Um elemento memorável ligado ao produto: uma cor, um objeto, uma demo rápida no telemóvel. Profissional, mas diferente.
- Coerência visual entre o perfil na app, o LinkedIn, os cartões e a roupa, para que a marca seja reconhecível em todos os pontos de contacto.
Sucesso no Web Summit 2026!
Foi um gosto conhecer os vossos projetos e fazer parte desta preparação. Desejamos a todas as startups um excelente Web Summit, com conversas que se transformem em parcerias e investimento.




